Diversidade x viés inconsciente: desafio do RH

Diversidade x viés inconsciente: desafio do RH

A discussão sobre a diversidade e a inclusão não é um assunto novo no universo do RH, porém, nos últimos anos, o tema vem ganhando cada vez mais destaque. Abrindo o debate, um mito a ser derrubado sobre a inclusão é o imaginário de que todos devem ser tratados igualmente. Porém, como é possível que uma pessoa trate a todos de forma igual se cada um é diferente? Além disso, como enxergar com igualdade se cada pessoa tem experiências diversas compondo seu repertório? Dois conceitos são providenciais para que essa conversa avance na direção de um entendimento mais claro: equidade e viés inconsciente.

Em linhas gerais, a equidade prevê adaptação à regra com foco em uma análise justa. A premissa igualdade aos iguais e diferença aos diferentes é um exemplo bem direto da ideia. Resumidamente, torna-se necessário nivelar possibilidades, oportunidades e acessos, assim como relativizar condições, aspectos culturais e segmentações, elevando-se a importância da adequação. Transportando o conceito para a Gestão de Pessoas e a diversidade, a contratação de PCD ou negros ou LGBTQI+ precisa observar igualdade de direitos, que é geral, e também diferenças físicas e sociais a fim de atender a busca por equidade.

Desdobrando o segundo conceito, o viés inconsciente é um conjunto de estereótipos que todas as pessoas possuem e é formado por experiências e opiniões. Como a própria referência à inconsciência indica, o julgamento acontece sem que tenhamos controle. É como se em uma primeira impressão ou na iminência de uma tomada de decisão, acessássemos um banco de dados próprio para avaliar pessoas, ambientes, situações, etc. Juntando os dois conceitos, o RH tem o imenso desafio de promover equidade ao mesmo tempo em que precisa considerar os impactos do viés inconsciente em todas as etapas da inclusão.

Ambiente de trabalho inclusivo

Quando a diversidade é assunto dentro das empresas, fala-se muito sobre abrir vagas para os grupos conhecidos como minorias (mesmo que negros e mulheres sejam maioria na população brasileira). Entretanto, o aprofundamento precisa ser muito maior. É crucial buscar a redução dos impactos do viés inconsciente através de programas voltados à instrução dos profissionais.

Ter ciência sobre a existência do viés inconsciente e esclarecer que não há como anulá-lo são passos fundamentais para o reconhecimento do peso invisível do repertório e para o aceite de que todos temos preconceitos, no sentido literal de conceitos prévios. Por meio deste processo, é possível perceber-se e, verdadeiramente, abrir-se à equidade, que é condição vital para um ambiente mais diverso e inclusivo. Aliás, os dois conceitos vão além das etapas de seleção e contratação, ambos também merecem atenção na conduta diária de todos os colaboradores e também da empresa como uma organização com posicionamento, atitudes e valores. O desafio é complexo, mas o horizonte de avanço é promissor e inspirador.