O problema não é o modelo de trabalho: é a gestão
Não é raro ver — em rodinhas de café, postagens no LinkedIn ou debates de RH — o clássico contraponto: “remoto é melhor que presencial” ou “sem escritório não há produtividade”. O problema nesse embate não é o modelo em si, mas o modo como falamos sobre ele. O conflito é simplista demais e mascara uma verdade mais rica e desafiadora: o desempenho, engajamento e bem-estar das pessoas dependem mais de como o trabalho é gerido do que de onde ele acontece.
Isso fica claro quando olhamos para os dados de 2025. A pesquisa global The Remote Work Paradox da Gallup mostra um fenômeno que ajuda a qualificar a análise: trabalhadores totalmente remotos são, em média, os mais engajados no trabalho — com 31% relatando alto engajamento — superando tanto modelos híbridos quanto os estritamente presenciais.
Esse dado desmonta um mito: produtividade e engajamento não estão automaticamente ligados à presença física no escritório. Autonomia, flexibilidade e controle sobre o próprio tempo — elementos facilitados em regimes remotos — parecem contribuir para o esforço e o foco das pessoas.
Mas antes de bater o martelo e declarar que o “remoto é a solução definitiva”, vale observar a outra face da moeda: a mesma pesquisa mostra que profissionais 100% remotos tendem a relatar menor bem-estar geral, com mais estresse e sentimento de isolamento do que colegas com rotinas híbridas ou presenciais. Isso revela um ponto fundamental: sem uma gestão que coloque suporte e conexão humanizada no centro, qualquer modelo — seja ele remoto ou presencial — pode falhar em promover um ambiente saudável e sustentável.
Além disso, tendências de RH reforçam que flexibilidade já não é um “benefício extra”, mas uma expectativa para grande parte da força de trabalho. Uma pesquisa ampla de clima organizacional aponta que cerca de 76% dos profissionais consideram flexibilidade no “onde e quando” trabalhar como um dos fatores mais importantes ao escolher um empregador.
Ponto de reflexão
A discussão home office x presencial costuma transformar modelos de trabalho em antagonistas, quando o que realmente influencia resultados é como esses modelos são operacionalizados. Aqui entra a gestão — e é aí que muitas empresas ainda tropeçam.
Gestão: o que realmente sustenta o trabalho
Se não existe um modelo ideal, é porque o desempenho do trabalho não está apenas condicionado ao formato adotado, mas à forma como ele é gerido. Remoto, híbrido ou presencial são contextos diferentes para executar o trabalho — não explicações para bons ou maus resultados.
Na prática, o que sustenta a produtividade e o bem-estar das pessoas é uma base comum: objetivos claros, processos bem definidos, comunicação consistente e decisões alinhadas à estratégia. Quando esses elementos estão presentes, o trabalho flui. Quando não estão, surgem ruídos — independentemente de onde as pessoas estejam.
É por isso que organizações maduras conseguem operar com eficiência em diferentes modelos ao longo do tempo. Elas não dependem do formato para funcionar, porque têm clareza sobre prioridades, responsabilidades e critérios de decisão. O modelo se ajusta à estratégia (e não o contrário).
Nesse cenário, a gestão deixa de atuar apenas como controle ou acompanhamento e passa a cumprir seu papel central: dar direção, organizar o trabalho e criar condições para que as pessoas performem com equilíbrio. O modelo adotado apenas define a logística; a gestão define o resultado.
No fim, o debate sobre presencial, híbrido ou remoto perde relevância diante da pergunta que realmente importa: o trabalho está bem estruturado para acontecer? Quando a resposta é sim, o modelo deixa de ser um problema e passa a ser apenas uma escolha operacional.
O que o RH precisa observar (independentemente do modelo)
Quando o debate sai do “onde” e vai para o “como”, o papel do RH ganha ainda mais relevância. Não como mediador de preferências individuais, mas como estruturador do trabalho.
Alguns sinais ajudam a entender se o problema está no modelo — ou, mais provavelmente, na gestão:
- Objetivos mudam com frequência ou não são claros para o time;
- Prioridades competem entre si e tudo parece urgente;
- Processos dependem demais de pessoas específicas;
- Decisões não seguem critérios consistentes;
- O RH passa mais tempo reagindo a problemas do que planejando melhorias.
Esses pontos impactam a experiência das pessoas e os resultados do negócio em qualquer contexto. Trocar o modelo sem endereçá-los tende apenas a deslocar o problema.
Por outro lado, quando a base está bem estruturada, o RH consegue atuar de forma mais estratégica: acompanhando indicadores, identificando pontos de atenção, apoiando lideranças e criando condições reais para o desempenho e o bem-estar caminharem juntos.
Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser acessório e passa a ser infraestrutura de gestão. Ela organiza informações, dá visibilidade aos processos e sustenta decisões mais consistentes, sem depender do controle informal ou da presença constante.
Modelos de trabalho são escolhas operacionais, gestão é escolha estratégica. E é ela que define se remoto, híbrido ou presencial serão fontes de tensão ou de bons resultados.
A base tecnológica por trás da boa gestão
É nesse ponto que a Techware entra para a apoiar a gestão do trabalho com tecnologia. Nosso objetivo é ajudar o RH a transformar complexidade em clareza: organizando processos, centralizando informações e dando visibilidade aos indicadores que realmente importam.
Soluções como o RHevolution sustentam a gestão no dia a dia, permitindo que o RH atue com mais estratégia, menos improviso e tomando decisões baseadas em dados e fatos — independentemente do modelo de trabalho adotado.Se o desafio da sua empresa não é escolher entre remoto, híbrido ou presencial, mas sim estruturar o trabalho para funcionar bem em qualquer contexto, fale com a Techware e descubra como a tecnologia pode ser aliada da gestão na prática.
Relacionados


O problema não é o modelo de trabalho: é a gestão
Não é raro ver — em rodinhas de café, postagens no LinkedIn ou debates de RH — o clássico contraponto: “remoto é melhor que presencial” ou “sem escritório não há produtividade”. O problema nesse embate não é o modelo em...
Leia mais

Rhevolution: seu aliado para superar os desafios de RH em 2024
O ano de 2024 trouxe um panorama desafiador para os gestores de Recursos Humanos! O dinamismo do mercado de trabalho, impulsionado pela rápida evolução tecnológica, a crescente globalização e as mudanças socioculturais, têm demandado um novo patamar de estratégia e...
Leia mais

Modelo PJ: como estruturar sem precarizar a relação de trabalho
Nos últimos anos, o modelo de contratação PJ deixou de ser exceção para se tornar parte relevante da estrutura das empresas — especialmente nos setores de tecnologia, serviços e comunicação. A promessa é tentadora: flexibilidade, autonomia e redução de custos....
Leia mais

IA no RH em 2026: da velocidade à governança
A transformação digital do RH já não é futuro: é presente. Antes, processos que consumiam semanas — como contratações, análises de clima e gestão de folha — hoje acontecem em minutos, graças à inteligência artificial. Recrutamento digital, análises preditivas e...
Leia mais

O impacto da automatização da folha: menos erros, mais estratégia
Seu RH fecha folha ou apaga incêndio todo mês? Processar a folha de pagamento é uma das tarefas mais críticas e delicadas do RH. Cada erro pode gerar impacto direto nos colaboradores e na empresa, desde pagamentos incorretos até problemas...
Leia mais

Admissões temporárias: eSocial, FGTS Digital e folha – o checklist que evita multas
Quando o último trimestre do ano se aproxima, setores como varejo, logística, indústria e serviços já se preparam para reforçar os times com contratos por prazo determinado e trabalho temporário. É a alta sazonal que movimenta o mercado e garante...
Leia mais
